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A Simples Verdade do Evangelho

Este é um dos textos mais significativos que já li sobre o Evangelho. Baxter Kruger consegue, em apenas duas páginas, resumir a próposito de Deus para nós e como nem mesmo a queda de Adão pode destruir tal propósito. Espero que esta leitura seja bênção para você, como tem sido para mim.


Páginas 54-57, em C. Baxter Kruger, Jesus And the Undoing of Adam. Perichoresis Press.


Traduzido por Willy Torresin de Oliveira


A vida que Deus vive como Pai, Filho e Espírito não é entediante, triste, ou solitária. Não há vazio neste círculo, nem depressão, medo ou angústia. A vida Trinitária é uma vida de infinita e contínua comunhão e intimidade, mantida acesa pelo amor altruísta e apaixonado, e prazer mútuo. Tal amor, dando origem a tal união e comunhão, transborda em alegria ilimitada, em criatividade infinita, e em bondade inimaginável. O evangelho tem seu início neste lugar, com esse Deus e com esta vida divina, pois não há outro lugar. Antes do amanhecer do tempo, e antes que o espaço fosse chamado à existência, e antes que os céus fossem expandidos e salpicados com um mar de estrelas, e antes que a terra fosse criada e povoada com pessoas e vida e beleza infinita, antes que houvesse qualquer coisa, lá estava o Pai, o Filho e o Espírito, e a grande dança da vida Trinitária. A verdade surpreendente é que esse Deus Trino, em amor espantoso e pródigo, resolveu abrir o círculo e compartilhar a vida Trinitária com outros. Esta é a razão permanente, eterna e única para a existência do universo e da vida humana dentro dele. Não há outro Deus, nenhuma outra vontade de Deus, nenhum plano secundário, nenhuma agenda secreta aos seres humanos. Desde o início, Deus é Pai, Filho e Espírito, e desde o início, este Deus tem decidiu não existir sem nós.

A verdade surpreendente é que esse Deus Trino, em amor espantoso e pródigo, resolveu abrir o círculo e compartilhar a vida Trinitária com outros.

Por ocasião da Queda de Adão e da absoluta tragédia resultante que contaminou toda a criação de Deus, a vontade única do Deus Trino continuou imutável. A catástrofe de Adão se chocou contra o mesmo amor apaixonado e determinado que dera origem à criação no início, e, portanto, com um divino e intolerável “Não!”, o Pai, o Filho e o Espírito se opuseram, de forma total e apaixonada, à nossa destruição e imediatamente iniciaram o trabalho de reconciliação. De fato, Jesus Cristo já estava a caminho da encarnação quando Adão era ainda um mero pensamento na mente de Deus. Pois não poderia haver uma união entre Deus e a humanidade, exceto por meio de um ato impressionante de humildade da parte de Deus. Antes da criação, a nossa adoção – e sua realização em Jesus Cristo – fora levantada como a principal bandeira entre todas as bandeiras e estandartes no céu.

Jesus Cristo não se tornou humano para corrigir a Queda; ele se tornou humano para cumprir o propósito eterno da nossa adoção; e para poder realizar a nossa adoção, a Queda teve que ser paralisada e desfeita.

Não foi a Queda de Adão, portanto, que definiu a agenda de Deus; foi a decisão divina de compartilhar a grande dança conosco através de Jesus. O mergulho de Adam certamente ameaçou os sonhos de Deus para nós, mas a ameaça já havia sido antecipada e estrategicamente superada na predestinação da encarnação. Jesus Cristo não se tornou humano para corrigir a Queda; ele se tornou humano para cumprir o propósito eterno da nossa adoção; e para poder realizar a nossa adoção, a Queda teve que ser paralisada e desfeita. A catástrofe de Adão certamente fez com que o caminho da encarnação, e, portanto, da nossa adoção, fosse um caminho de dor, sofrimento e morte, porém, não criou a sua necessidade. Jesus não é uma nota de rodapé para Adão e sua Queda; a Queda, e, de fato, a própria criação, é uma nota de rodapé para o propósito de Deus em Jesus Cristo.

Contra o mergulho de Adão, Abraão e Israel foram chamados a ser a esfera, dentro do mundo perdido de Adão, onde a vontade eterna de Deus poderia continuar em seu desdobramento, e onde o útero para a encarnação poderia ser preparado. Na plenitude do tempo, o Filho de Deus foi enviado pelo Pai para o país distante da existência adâmica caída. E naquele país, nascido dentro da escuridão de Adão e dentro do conflito ardente de Israel com Deus, ele adentrou a história humana – e desta forma, para dentro da violenta contradição entre a humanidade caída e o Deus Trino. E naquele lugar, dentro da pele de Adão, porém recusando-se a viver a partir da mitologia de Adão, ele tomou sua posição como o Filho amado do Pai, amando firmemente seu Pai, com todo o seu coração, alma, mente e força, e compartilhando todas as coisas com Ele na comunhão do Espírito. Ele suportou a contradição em si mesmo e a resolveu por meio de 33 anos de fogo, provação e sofrimento, não andando no caminho de Adão, mas no caminho do verdadeiro Filho. Ele penetrou no núcleo da alienação e estranhamento humanos, e os experimentou plenamente, mas fê-lo como Aquele que conhece e ama o Pai, negando assim a sua carne adâmica e a crucificando na cruz do Calvário, e desta forma curando o terrível abismo entre Deus e a humanidade, em si mesmo. O que emerge do outro lado da cruz é um ser humano, saído do mundo perdido de Adão, que está assentado à direita do Pai em comunhão real e permanente com Ele. Jesus não só superou a Queda de Adão; ele exaltou a existência humana para dentro do círculo da vida Trinitária de Deus, e cumpriu o propósito eterno do Deus Trino para nós.

A verdade milagrosa e maravilhosa é que fomos incluídos no seu batismo, em sua vida e morte, e em sua ressurreição e ascensão. Quando ele morreu, nós morremos. Quando ele ressuscitou, nós ressuscitamos. Quando ele subiu ao Pai, ele levou toda a raça humana consigo à mão direita de Deus Pai Todo-Poderoso – para dentro do círculo de todos os círculos, para a própria vida do Deus Trino

A própria essência do evangelho reside no próprio Jesus Cristo, em sua humanidade, em sua relação encarnada com o Pai no Espírito, e na forma misteriosa como ele nos incluiu nesta relação. Pois a grande conversão da sua humanidade ao seu Pai, operada por meio de 33 anos de fogo e dificuldades, e de forma decisiva realizada em sua morte e ressurreição, foi um evento vicário. A verdade milagrosa e maravilhosa é que fomos incluídos no seu batismo, em sua vida e morte, e em sua ressurreição e ascensão. Quando ele morreu, nós morremos. Quando ele ressuscitou, nós ressuscitamos. Quando ele subiu ao Pai, ele levou toda a raça humana consigo à mão direita de Deus Pai Todo-Poderoso – para dentro do círculo de todos os círculos, para a própria vida do Deus Trino. Com este trabalho, e somente por este trabalho, o Pai está satisfeito, pois nossa exaltação e adoção em Jesus Cristo é o cumprimento da decisão primal feita antes de todos os mundos serem criados.


Após o regresso do Filho encarnado, com a raça humana reunida em seus braços, o Espírito de adoção foi liberado sobre todo o mundo com a missão singular de nos levar a conhecer a verdade. O Espírito foi enviado para testificar de Cristo, para dar testemunho ao nosso espírito que somos filhos de Deus em Cristo, e ao dar este testemunho, a nos chamar a crer na verdade para que possamos experimentar a sua libertação. O Espírito testifica que Jesus Cristo é o Filho amado do Pai, que se senta à sua mão direita, e que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador da raça humana, que vasculhou o universo para nos encontrar e nos levar de volta para casa. E à medida que o Espírito nos leva a conhecer a verdade, não apenas em nossos intelectos como uma mera trivialidade teológica, mas em nossas almas como a coisa mais certa e absoluta em todo o mundo, ele nos leva a experimentar o batismo da segurança e da certeza. Isto porque quando vemos a nós mesmos assentados com Cristo à direita do Pai, nos vemos amados e valorizados, acolhidos no abraço e na aceitação do Pai, que se alegra em nós, é de fato conhecer um alívio indizível, e esperança e paz, e a mais profunda e mais querida de todos as seguranças. Tal segurança e certeza, por sua vez, começa a guerrear contra a nossa ansiedade arraigada e a nos libertar de seu enteado, o egocentrismo. Somos libertados para sair para fora de nós mesmos, para perceber os outros, e para cuidar deles, livres para conhecermos e sermos conhecidos, para amar, e, portanto, livres para experimentar verdadeira comunhão. Nesta comunhão, a própria vida do Deus Trino, a grande dança da vida compartilhada pelo Pai, Filho e Espírito, é liberada em nossas vidas.


É importante enfatizar que Jesus Cristo não muda Deus, o Pai, e tampouco o faz a nossa fé. Antes da criação do mundo, Pai, Filho e Espírito já haviam derramado seu generoso e determinado amor sobre nós e desde então, jamais vacilaram em sua decisão.  Foi a partir desse amor eterno, que Jesus foi enviado para nos encontrar no país distante, para lançar mão de nós, nos purificar de toda a alienação e nos trazer de volta ao Pai. Imediatamente em seguida à realização de Cristo, e a partir do mesmo amor eterno, o Espírito foi derramado sobre nós para nos levar a conhecer a verdade – a verdade sobre Deus e humanidade em Jesus Cristo – para que possamos experimentar a sua libertação e vida.

A fé não muda Deus; pelo contrário, a fé nos transforma. A fé nos liberta de nossa mitologia e sua agonia espiritual – assim como da maneira como essa agonia espiritual envenena nossas vidas.

A nossa fé não altera Deus de forma alguma. Fé é antes de mais nada a descoberta do coração do Pai, do Filho e do Espírito, a descoberta dos sonhos surpreendentes do Deus Trino para a nossa bênção, e do fato de que esses sonhos se tornaram verdade eterna em Jesus Cristo. É impossível tal descoberta não nos deixar sem fôlego e encher nossos corações de esperança, paz e segurança. O testificar do Espírito, quando acompanhado de fé, produz o fruto do Espírito em nossas vidas. É a água viva fluindo para fora do mais profundo do nosso ser e encharcando nossos relacionamentos, nosso trabalho e até mesmo nossa diversão. A fé não muda Deus; pelo contrário, a fé nos transforma. A fé nos liberta de nossa mitologia e sua agonia espiritual – assim como da maneira como essa agonia espiritual envenena nossas vidas. Sem fé em Jesus Cristo, nossas almas – e, portanto, nossos relacionamentos, nosso trabalho e diversão – já estão afligidos pela ansiedade. A única cura que existe em todo o universo é ver Jesus Cristo assentado à direita do Pai e a nós mesmos assentamos com ele. A descoberta dessa verdade ativa a fé, pois nos dá algo em que acreditar, algo que é tão real, tão sólido e verdadeiro, que acreditar nesta verdade batiza nossas almas ansiosas com segurança e certeza, a força mais libertadora em toda a terra.

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