• PCD

A Chave para a Vida Cristã Vitoriosa – Parte 2

A CHAVE PARA A VIDA CRISTÃ VITORIOSA – PARTE II


O que é que morreu e para o que morremos?


Para entendermos como nossa co-crucificação com Cristo é a chave para a vitória, é necessário respondermos duas perguntas: “O que foi que morreu?” e “Para o que foi que morremos?” Em primeiro lugar, “o que foi que morreu?” O Dr. Martyn Lloyd Jones diz o seguinte sobre este fato:


“O que é que Paulo quer dizer quando se refere ao velho homem? A mim parece bastante claro… o velho homem é o homem que eu era em Adão… É o homem que eu era, mas que não sou mais.”


John Murray escreve, “velho homem é a designação da pessoa controlada pela carne e pelo pecado.” Em outras palavras, o velho homem é a pessoa que éramos antes de nos tornarmos Cristãos. Não somos duas pessoas, um velho homem e um novo homem, tampouco somos a mesma pessoa que éramos que foi conectada a Jesus Cristo. Somos novas criaturas. Watchman Nee faz tal diferenciação dizendo:


“É por este motivo que é possível a nós vivermos uma vida de santidade, pois não foi nossa velha vida que foi modificada, mas sim a vida de Deus que nos foi dada.”

Mas por que tantos Cristão continuam agindo como o velho homem? Simplesmente porque não acreditam no que Deus disse, que sua velha natureza foi crucificada com Cristo.

Mas por que tantos Cristão continuam agindo como o velho homem? Simplesmente porque não acreditam no que Deus disse, que sua velha natureza foi crucificada com Cristo. São Cristãos que foram enganados e que acreditam na mentira. É absolutamente essencial saber e crer que aquela velha pessoa que você era está morta. Caso você não saiba e não creia em tal verdade, você experimentará uma existência de prisão à velha pessoa que você ainda acredita que você é. O Dr. Martyn Lloyd Jones resume muito bem esta fato ao dizer:


“Você deve compreender que o velho homem não existe mais. A única maneira de parar de viver como se ele ainda existisse é concluir que ele não existe mais. É este o método apresentado no Novo Testamento para ensinar a santificação. O grande problema conosco, nos ensina o Novo Testamento, é que nós não sabemos quem somos, pois continuamos pensando e acreditando que somos o velho homem, e continuamos tentando fazer coisas para melhorar o velho homem. Porém, o que havia para ser feito já foi feito; o velho homem já foi crucificado com Cristo. Ele não existe mais, já foi enterrado de uma vez por todas… Se de fato acreditássemos nesta verdade como deveríamos acreditar, nós de fato começaríamos a viver como Cristãos neste mundo.”

O grande problema conosco, nos ensina o Novo Testamento, é que nós não sabemos quem somos, pois continuamos pensando e acreditando que somos o velho homem, e continuamos tentando fazer coisas para melhorar o velho homem.

A segunda pergunta é, “Para o que foi que morremos?” As Escrituras nos ensinam que morremos para o pecado (Romanos 6:2, 7, 10, 11), para a lei (Romanos 7:4, 6) e para o mundo (Gálatas 6:14, Colossenses 2:20). Nós já morremos para o mundo e não precisamos mais recorrer ao mundo para conseguir que nossas necessidades sejam supridas e para encontrar nossas identidades. Não precisamos mais agradar às pessoas e conseguir sua aprovação e aceitação para sentirmos que temos valor. O “velho homem” que éramos, que necessitava desesperadamente destas coisas, está morto.


Nós também morremos para a lei. Nós não precisamos mais nos esforçar para atingir o padrão de perfeição de Deus. O propósito de Deus em dar a lei foi nos mostrar nossa total incapacidade para cumpri-la e nos quebrantar, para nos levar a Cristo. “Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê” (Romanos 10:4). A lei é cumprida em nós, não à medida que tentamos obedecê-la, mas sim à medida que permitimos que Cristo viva Sua vida em nós (Romanos 8:4). É isto que significa o texto em Romanos 6:14 – “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.” Martinho Lutero resumiu muito bem esta verdade quando afirmou: “A lei diz, faça isto, mas nunca nos capacita a fazê-lo; a graça diz, creia Nele, pois o que havia para ser feito já foi feito por Ele.

Nós já morremos para o mundo e não precisamos mais recorrer ao mundo para conseguir que nossas necessidades sejam supridas e para encontrar nossas identidades.

Finalmente, nós já morremos para o pecado (Romanos 6:2). Isto não significa que nunca mais pecaremos, mas que já morremos para o poder do pecado que ainda habita nossos corpos físicos. Antes de sermos Cristãos, estávamos mortos para Deus, e éramos controlados pelo pecado. Agora, de acordo com o que está escrito em Romanos 7:23, o poder do pecado está em nossos corpos, porém nós já estamos mortos para este poder (Romanos 6:2). E Romanos 6:6 nos diz que já fomos libertos do poder do pecado: “Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado” (Romanos 6:6). Estamos agora livres para pecar ou para não pecar – a escolha é nossa. O Dr. Charles Solomon diz, “o velho homem é sinônimo do espírito morto, da natureza pecaminosa, da natureza adâmica, o velho eu, etc. […] O velho homem foi crucificado com Cristo de forma que o regenerado possa agora servir em obediência para a justiça: “Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?” (Romanos 6:16). O velho homem, ou a velha natureza, tornou-se inoperante pela crucificação; portanto, os pecados não se originam mais desta fonte […] O velho homem foi crucificado com Cristo quer o crente usufrua ou não da libertação do poder do pecado […] A crucificação do velho homem não faz com que o Cristão nunca peque mais, porém lhe dá a liberdade de escolha para servir ao pecado ou à justiça.”

A crucificação do velho homem não faz com que o Cristão nunca peque mais, porém lhe dá a liberdade de escolha para servir ao pecado ou à justiça

O problema da maioria dos Cristão derrotados é que eles não sabem que já morreram para o pecado e que portanto já estão livres do seu poder, como está claramente escrito em Romanos 6. Em Romanos 6:11 nos é dito que devemos nos “considerar (contar como sendo verdadeiro) mortos para o pecado, porém vivos para Deus em Jesus Cristo,” não para que este fato se torne verdade, mas sim porque já é verdade! E é verdade porque Deus diz que é verdade, e Deus o diz porque o velho homem (o velho eu, a natureza pecaminosa) já foi crucificado com Cristo para que o corpo do pecado (carne) fosse anulado para que não mais sirvamos ao pecado (veja o diagrama 1).


A Verdade Transformadora


O resultado desta verdade libertadora e transformadora é muito bem ilustrado com a resposta às seguintes perguntas:


1. O que aconteceu com a pessoa que eu era?


Ela foi crucificada, morta e enterrada com Cristo, e já não existe mais.


2. Quem sou eu agora?


Eu sou uma nova criatura, isto é, um santo. Eu sou justo, santo e irrepreensível. Eu sou um filho de Deus.


3. Onde estou agora?


Eu estava em Cristo quando Ele morreu, e eu estou em Cristo agora. João 14:20 diz que Jesus está no Pai, que eu estou em Jesus, e que Ele está em mim. Eu fui ressuscitado com Cristo e agora estou assentado com Ele nos lugares celestiais (Efésios 2:6).


4. O que é minha vida agora?


“Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória” (Colossenses 3:3-4). Paulo resume tudo dizendo, “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20).


A pergunta que normalmente é feita neste ponto é, “se de fato morremos para pecado e estamos livres do seu poder, por que não me sinto desta forma e por que não ajo desta forma?” Nada é realmente nosso de forma que possamos usufruir de seus benefícios até que recebamos tal coisa, ou até que nos apropriemos dela e façamos dela propriedade nossa. Deus ama a todos, e Cristo deu Sua vida por todos, porém há poucas pessoas no mundo que respondem a tal fato com fé e recebem o perdão dos pecados e a vida eterna. Deus já nos deu todas as bênçãos espirituais (Efésios 1:3), e tudo aquilo que necessitamos para a vida e santidade (1 Pedro 1:3), porém, tudo que recebemos de Deus deve ser recebido pela fé. O outro lado da moeda é que perdemos o que Deus tem para nós devido à nossa incredulidade. Os Israelitas não entraram no descanso de Deus devido à sua incredulidade (Hebreus 3:19).

tudo que recebemos de Deus deve ser recebido pela fé.

Muito já tem sido escrito sobre os quatro passos que aparecem em Romanos 6 para se entrar na vida vitoriosa – (1) Saber, (2) Considerar, (3) Entregar, e (4) Obedecer. Porém, parece que a vasta maioria dos Cristãos pula o primeiro passo e se especializa nos três passos seguintes, considerar, entregar e obedecer. Mas até que saibamos que o velho homem (natureza pecaminosa) já foi crucificada, e nos apropriemos da nossa morte com Cristo, qualquer tentativa no sentido de nos considerarmos, de nos entregarmos e de obedecermos será fútil. Não é possível nos considerarmos mortos para o pecado até que saibamos que já morremos para o pecado e que o mesmo não tem mais qualquer autoridade sobre nós, e que não precisamos mais responder ao estímulo do pecado. Watchman Nee experimentou esta realidade da seguinte forma:


Por muitos anos após minha conversão, eu fui ensinado que deveria considerar (minha morte com Cristo). Foi o que fiz de 1920 até 1927. Porém, quanto mais eu considerava que estava morto para o pecado, mais vivo para o pecado eu parecia ficar. Eu simplesmente não conseguia acreditar que eu estava morto, e eu não podia produzir a morte […] foi então em um relâmpago que eu entendi. Eu vi minha união com Cristo. Eu vi que eu estava Nele e que quando Ele morreu, eu morri com Ele. Percebi então que a questão da minha morte era algo passado e não futuro, e que eu estava tão morto quanto Ele pelo simples fato de estar Nele quando Ele morreu. Aquela verdade despertou em mim como um amanhecer. Fui tomado por tal alegria ao fazer esta descoberta que pulei de minha cadeira e gritei, “Louvado seja Deus, que eu estou morto.”


Somos ensinados a nos entregar a Deus como aqueles que foram trazidos da morte para a vida (Romanos 6:13). Portanto, não podemos nos entregar de fato até que saibamos que o nosso velho homem está morto, pois devemos entregar o novo homem que foi ressuscitado dentre os mortos. Miles Stanford faz o seguinte comentário:


A questão é qual vida deve ser consagrada a Ele, a velha vida egocêntrica, ou a nova vida Cristocêntrica? Deus não aceita absolutamente nada do velho – Ele vê e reconhece somente aquilo que está centrado em Seu Filho, que é a nossa Vida. Portanto, Deus tem apenas uma exigência para a consagração: “antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça” (Romanos 6:13). Esta é a nossa única base, e é a partir desta plataforma que devemos nos considerar mortos para o pecado, para o ego, a lei, o mundo, e nos considerarmos vivos para Deus em Cristo Ressurreto.


Não podemos de fato obedecermos a Deus até que percebamos que o velho homem está morto e que todas as ordens nas Escrituras são dirigidas ao novo homem – ou seja, para Cristo em mim.

Não podemos de fato obedecermos a Deus até que percebamos que o velho homem está morto e que todas as ordens nas Escrituras são dirigidas ao novo homem – ou seja, para Cristo em mim. Me parece que a maioria dos programas de discipulado existentes hoje em dia procuram fortalecer ou melhorar o ego (que não passa da carne), uma tarefa vã e impossível. À medida que aprendemos e nos apropriamos da verdade de quem somos em Cristo e começamos a viver a partir de nossa nova identidade, a obediência não é mais um esforço, mas sim uma manifestação normal da vida de Cristo. Nós sempre agimos de forma consistente com o que acreditamos a respeito de nós mesmos. Se vemos a nós mesmos como pecadores, o que é que os pecadores fazem? Quando percebemos que é impossível vivermos a vida Cristã, e compreendemos que não há nada que eu possa fazer para que minha “vida Cristã” funcione, é que estou pronto para desistir de minha própria vida e confiar em Cristo para ser minha vida, minha identidade, minha sabedoria, minha justiça e minha santificação, assim como minha redenção (1 Coríntios 1:30).

Então, como é que nos apropriamos de nossa co-crucificação (a morte do velho homem)? Nós nos apropriamos desta verdade da mesma forma como nos apropriamos de toda e qualquer coisa que Deus diz que já é nossa – pela fé. Simplesmente confiamos no que Deus disse a esse respeito, cremos Nele e recebemos como algo que nos pertence. A questão não é se nos sentimos mortos para o pecado ou até mesmo se agimos como mortos para o pecado, mas sim o que Deus diz a este respeito. Se Deus diz que nós morremos para o pecado, foi exatamente isto que já aconteceu. Esta é a “verdade verdadeira” e a “realidade real” – qualquer coisa que não esteja de acordo com o que Deus diz é um engano – uma mentira. O nosso problema é que nós temos crido muito mais em nossos sentimentos e emoções, em nosso desempenho, ou na opinião das pessoas. Porém a verdade é aquilo que Deus diz ser a verdade, independentemente do que eu sinto a respeito, ou do meu desempenho, ou do que as pessoas possam dizer. Lamentavelmente, temos baseado nossa teologia em nossa experiência (como foi nosso desempenho no passado) ao invés de termos como base o que Deus diz. A verdade é que o velho homem já foi crucificado com Cristo; que estamos mortos para o pecado, e livres do seu poder, quer acreditemos nesta verdade ou não. Trata-se de um fato consumado e acabado, e tudo que temos que fazer para nos apropriarmos de tal verdade é levar a palavra de Deus à sério e receber tal fato como verdade. À medida que tomo tal atitude e começo a considerar tal verdade, o Espírito Santo fará com que a verdade objetiva seja subjetivamente real para nós, e começaremos a andar na liberdade que Deus já providenciou para nós.


A questão não é se nos sentimos mortos para o pecado ou até mesmo se agimos como mortos para o pecado, mas sim o que Deus diz a este respeito. Se Deus diz que nós morremos para o pecado, foi exatamente isto que já aconteceu.